A obesidade é uma condição crônica e multifatorial caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, resultante de um desequilíbrio entre ingestão calórica e gasto energético. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma epidemia global, ela afeta milhões de pessoas e está associada a uma série de comorbidades que comprometem a qualidade e a expectativa de vida.
Impactos na saúde global
Além de aumentar a incidência de doenças metabólicas, a obesidade repercute negativamente em praticamente todos os sistemas do organismo. Está associada ao maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, apneia do sono, osteoartrite, doenças hepáticas e certos tipos de câncer (como o de mama, cólon e fígado). Também exerce efeitos psicológicos importantes, como depressão e ansiedade, além de reduzir a produtividade e aumentar custos com saúde pública.
Relação com a saúde cardiovascular
Do ponto de vista cardiovascular, a obesidade promove um estado inflamatório crônico e resistência à insulina, que levam à disfunção endotelial, aumento da pressão arterial e aterogênese acelerada. A elevação dos níveis séricos de LDL-colesterol, triglicerídeos e apolipoproteína B, somada à redução do HDL, contribui para o desenvolvimento de doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e morte súbita. O risco cardiovascular global aumenta proporcionalmente ao índice de massa corporal (IMC) e, mais ainda, à presença de adiposidade visceral, medida pela circunferência abdominal.
Abordagem terapêutica
O tratamento da obesidade deve ser abrangente, combinando estratégias não farmacológicas e intervenções farmacológicas conforme o perfil do paciente.
Medidas não farmacológicas:
- Mudança no estilo de vida: dieta balanceada, rica em vegetais, frutas, fibras e proteínas magras, com redução de açúcares e ultraprocessados.
- Atividade física regular: pelo menos 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos moderados associados ao fortalecimento muscular.
- Sono e controle do estresse: a privação de sono e o estresse crônico afetam hormônios reguladores do apetite, como leptina e grelina.
- Acompanhamento multiprofissional: envolvendo nutricionista, psicólogo e educador físico para adesão sustentável.
Medidas farmacológicas:
Indicadas quando o IMC ≥ 30 kg/m², ou ≥ 27 kg/m² com comorbidades. Entre as opções atuais, destacam-se:
- Agonistas do receptor GLP-1 (semaglutida, liraglutida, tirzepatida): reduzem o apetite, promovem saciedade e melhoram o controle glicêmico, com benefícios comprovados na redução do risco cardiovascular.
- Inibidores de absorção de gordura (orlistate): reduzem parcialmente a absorção intestinal de lipídios.
- Outros agentes sob avaliação, como antagonistas de receptores endocanabinoides e combinados noradrenérgicos, devem ser usados com cautela e sob supervisão médica.
A cirurgia bariátrica é considerada em casos graves (IMC ≥ 40 kg/m², ou ≥ 35 kg/m² com comorbidades), com evidências robustas de melhora da sobrevida e redução de eventos cardiovasculares.

